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Release
por Alexandre Pavan
Produzido por Alê Siqueira, o álbum de estreia da cantora Luzia traz participações de Carlinhos Brown, Ivan Lins, Marcelo Jeneci e André Mehmari.
Luzia não se deslumbra nem um pouco com as novidades tecnológicas que atualmente permitem gravar e lançar um disco num curto período de semanas, ou até de dias. Como todos os artistas independentes, a intérprete comemora os novos meios de divulgação, no entanto, defende que a preparação de um CD é um processo que continua a exigir – e merecer – tempo. Não à toa, “Luzia”, seu álbum de estreia, levou quatro anos para ser concebido.
“De outra maneira não seria o disco que eu queria”, resume a cantora, que registrou o trabalho no Ilha dos Sapos, o estúdio de Carlinhos Brown, em Salvador (BA). Brown é um dos padrinhos do álbum: participou como instrumentista em duas das 12 faixas e ainda ofereceu a nova toada “Pestaneja” para Luzia gravar. “Sempre soube que seu trabalho percussivo seria importante para o disco.”
O CD traz outras três músicas inéditas: “Cantiga de Menina” (Breno Ruiz/Paulo César Pinheiro), “Além do Paraíso” (Antonio Villeroy) e “No Colo da Lua Cheia” (Paulo Dáfilin/Roque Ferreira). Luzia interpreta ainda o xote “De Amor Eu Morrerei” (Dominguinhos/Anastácia), entoa o refrão do samba “Novo Amor” (Edu Krieger) e transforma a balada pop “Fields of Gold”, de Sting (“Ouro e sol” na versão de Zeca Baleiro e Lui Coimbra), numa música genuinamente brasileira. Porém, o que prevalece no álbum é o gênero canção.
“Fico encantada com essa construção da música, a união entre letra e melodia”, explica ela, que se identifica com compositores de diferentes gerações e estilos, como Vitor Ramil (“Ilusão da Casa”), Vicente Barreto (“Pássaro Solto”, letra de Paulo César Pinheiro) e Rafael Altério (“Minha sorte”, letra de Rita Altério).
“Luzia” também revela um trabalho cuidadoso nos arranjos. Em “Choro das Águas” (Ivan Lins/Vitor Martins), o piano de André Mehmari contracena com as vozes de Luzia e Ivan Lins. Na “Dança para um poema” (Rubens Nogueira/Consuelo de Paula), o destaque são as cordas desenhadas por Lincoln Olivetti. Em “Amador” (Rafael Altério/Élio Camale), o teclado de Marcelo Jeneci dialoga com os violões de Camilo Carrara.
Filha do artista plástico Silvio Dvorek e da diretora teatral Eugênia Thereza de Andrade, Luzia Dvorek cresceu num ambiente familiar que naturalmente a levaria para as artes. Inicialmente fez dança e expressão corporal e, na adolescência, se dedicou ao estudo de canto com Ná Ozzetti. “Mas, na hora de prestar vestibular, decidi ampliar meu conhecimento e optei pelas ciências sociais”, lembra.
Luzia formou-se em Sociologia pela PUC-SP e trabalhou na criação de projetos socias da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Em 2005, quando começava a preparar sua dissertação de mestrado sobre música e indústria cultural, decidiu que precisava voltar a cantar. “Era algo vital para eu ser feliz e ter realização pessoal.”
A cantora iniciou então sua pesquisa de repertório e fez seus primeiros shows em salas do SESC SP e no teatro do extinto Hotel Crowne Plaza. Participou ainda do Festival de Música da TV Cultura, chegando à semifinal da disputa ao interpretar “Toada” (Mário Seve/Guile Wisnik). Em seguida, gravou um CD demo. Foi por meio deste “CD experimental”que compositores como Ivan Lins e Carlinhos Brown conheceram então seu trabalho: “Mandei o CD para o Ivan em 2007 e, desde então, ele sempre me telefonava para perguntar sobre a produção do disco, me incentivar. Foi um grande parceiro nesse processo”, comenta. Em 2009, Luzia reuniu seus músicos sob direção do violonista Paulo Dáfilin e montou o show “Minha Sorte”, com o qual viajou pelo interior de São Paulo, se apresentando em Campinas, São Carlos, Araraquara, São José dos Campos e Santos. Com o repertório definido e testado no palco, ela deu início à criação de seu disco.
Por admirar o trabalho de Alê Siqueira no álbum “Infinito Particular”, de Marisa Monte, Luzia o convidou para fazer a produção musical de seu disco. “Nossa parceria funcionou muito bem porque em nenhum momento ele quis me moldar. Criamos juntos a partir dos elementos que eu apresentava.”
Mesmo antes de ter sido lançado oficialmente, o CD vem recebendo destaque em sites como o norte americano ArtOnAir , que disponibilizou a faixa “Ouro e Sol” acrescida da seguinte apreciação: “Luzia é um novo talento que faz música com frescor e apresenta uma versão arrepiante de ‘Fields of Gold’, de Sting.” “Luzia” é o resultado das ideias e da trajetória de uma intérprete que conhece e comanda seu próprio tempo. É como ela canta em “Ilusão da casa” (Vitor Ramil): “O tempo é o meu lugar/O tempo é minha casa/A casa é onde quero estar.”
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