Release
Depois do sucesso do disco e turnê “Tem juízo mas não usa” (2009), Lula Queiroga lança novo trabalho independente. Todo dia é o fim do mundo é o conceito que desenvolve o multiartista pernambucano, já considerado pela APCA o melhor compositor do ano no país. São 12 músicas que seguem a fórmula de sucesso dos discos anteriores de Lula: não ter fórmulas. Das primeiras pancadas em “Se não for amor eu cegue” (co-autoria com o eterno parceiro Lenine) à delicada “Poeira de estrelas”, canção que encerra o álbum, com participações de Vitor Araujo e Marcelo Jeneci, o disco abre um painel poético, sonoro, rítmico que o torna inventivo e consistente. Todo dia é o fim do mundo nos conduz ao que há de mais contemporâneo na música brasileira atual. O projeto gráfico do disco é do designer pernambucano Mateus Alves. Foto da capa de Marcelo Lyra. Produção musical de Lula Queiroga e Yuri Queiroga. O CD foi masterizado em Abbey Road por Sean Magee. Cantores que gravaram músicas de Lula neste ano/2011: Roberta Sá, Mart’nália, Lenine, Zé Renato, Elba Ramalho, Maria Rita, Teresa Cristina e Pedro Luís.
Palavras de Nelson Motta: “Lula Queiroga começa a ser reconhecido como um dos compositores mais interessantes de sua geração. Dono de uma linguagem própria movida a inteligência, humor e sensibilidade.”
LULA Q POR LQ
A ideia base deste novo disco: Todo dia é o fim do mundo nasce de uma pergunta besta que sempre me assolou o pensamento. Como a raça humana conseguiu chegar até aqui? Se somos tão frágeis, se nascemos tão dependentes? A resposta seria Darwiniana: adaptando-se. A qualquer circunstância. Morrendo e nascendo mais resistentes. Insistindo e perseverando por instinto. Vingando, no sentido matuto e épico da palavra. Como um cacto no deserto hostil. Aí veio a era industrial, a urbanidade desordenada. A necessidade de sobreviver no caos. Do corpo e da mente. A grande odisseia humana em busca da felicidade. O fim virá para todos. Mas não como extinção imediata e datada da vida na terra. Porque não se trata de oráculos bíblicos, previsões fatalistas, Nostradamus, colisões meteoríticas, derretimento dos pólos. Não. Todo dia é o fim do mundo é sobre o apocalipse diário, o pequeno drama cotidiano, vivido de sol a sol, de chuva em chuva, de fome a fome, de coração a coração. É a respeito dos sobreviventes do cataclisma pessoal de cada instante. Dos heróis anônimos que têm que matar um leão a cada dia. E que no dia seguinte acordam para enfrentar tudo de novo. Da vida à deriva. Dos que se refugiam na loucura pra atenuar a falta de norte. Dos que perdem e dos que vencem momentos. E que de uma forma ou de outra, como mariposas, caçadoras de luz, conseguem encontrar, mesmo efêmera, a fagulha fátua da alegria e da divindade. Para mim, dar forma sonora e consistência a esse conceito chave, virou um mergulho. Aprendi , ano passado com Ronaldo Fraga mestre no quesito: arte é imersão. Musica é deixar afundar no redemoinho. Daí, com a companhia de Yuri, Lucky Luciano, Tostão e Paulo Germano, entramos no estúdio aqui da Luni, em Recife e começamos a procurar as melodias para as vozes, o timbre para cada fonte sonora. Tocando e compondo ao mesmo tempo. Ocupando os vazios, valorizando pausas. Envolvendo a canção com casulos harmônicos. Lembrando outras que já existiam. Antecipando mixagens. Perseguindo o que ainda não existe. Tomando sempre o cuidado de nunca sucumbir ao meramente sombrio. Porque a simples menção do fim do mundo pode ser uma armadilha.
Todo dia é o fim do mundo é um disco com 12 faixas quase coladas umas às outras. A ordem original não surgiu ao acaso. Mas como toda ordem pode ser descumprida ao gosto randômico de cada um. Até porque são músicas que independem umas das outras.