Release
Petrobras apresenta Elefantes na Rua Nova | CD de áudio + CD multimídia
CAÇAPA E SUA VIOLA DINÂMICA: TRADIÇÃO À MODERNIDADE ESTÉTICA
Caçapa celebra 15 anos na música com lançamento do seu primeiro disco solo. Em Elefantes na Rua Nova, o compositor, arranjador, produtor musical e violeiro expressa seu envolvimento e fascínio pela viola dinâmica. E surpreende com a mistura de referências pop e processamentos sonoros sob linguagens ancestrais do baião de viola e do coco de roda, aliadas às rigorosas técnicas de composição da tradição erudita ocidental. Elefantes na Rua Nova contém um CD de áudio, com oito faixas e um CD multimídia, com partituras, textos, fotos e vídeos relativos ao processo criativo das composições e arranjos.
Selecionado e patrocinado pelo Programa Petrobras Cultural, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o disco esmiúça e expande os valores da viola dinâmica. Contrapõe e questiona os mitos diante das tradições e do instrumento, dedicado atualmente, quase que exclusivamente, ao repente do Nordeste.
:: O DISCO :: Em 15 anos de experiência profissional, Caçapa teve a oportunidade de trabalhar como compositor, arranjador e produtor musical em vários discos, com artistas e linguagens musicais diferentes. Em Elefantes na Rua Nova, ele busca o desafio de assumir sozinho todo o processo de criação do disco.
Para o CD, usa três violas dinâmicas, com timbres diferentes, e percussão do coco de roda, gênero musical popular que sempre lhe chamou atenção, assim como o repente. O outro elemento que utiliza e, segundo ele pode parecer estranho à música de rua do Nordeste, é o baixolão no qual acredita se misturar melhor com as sonoridades das violas.
“Tudo que eu queria é que a música de Elefantes na Rua Nova soasse com certa força”, diz ele, que pluga as violas em amplificadores e utiliza pedais de efeito para criar texturas e timbres diferentes. “A tradição me ensinou a liberdade de se tratar a linguagem musical. Isso é uma lição. As pessoas acham que a tradição é sempre imóvel”, completa o autor.
:: MULTIMÍDIA :: Dividido em entrevistas e conteúdo didático (contendo vídeos explicativos e partituras - onde é possível selecionar cada instrumento da composição musical), o CD multimídia contribui para a democratização do acesso aos bens culturais em questão; para o desenvolvimento do senso crítico e estético de músicos profissionais e estudantes de música interessados no universo musical nordestino; e para a ampliação, consolidação e renovação de tradições culturais.
:: VIOLA E HISTÓRIA :: Introduzida no Brasil durante a colonização, a viola de arame tornou-se, no decorrer de três séculos, o instrumento de cordas dedilhadas mais popular do país. No Nordeste, o instrumento alcançou ampla utilização nas manifestações musicais, exercendo funções bem diversas: acompanhamento do improviso poético dos repentistas; solista em música puramente instrumental; e integrante de folguedos como o reisado, o bumba-meu-boi e o samba de roda.
Nas últimas décadas do século 20, observou-se no Nordeste uma considerável redução na quantidade de artesãos dedicados à confecção de violas, assim como de músicos dedicados ao aprendizado do instrumento. Atualmente a viola está associada, quase exclusivamente, à tradição do Repente, embora ainda possa ser observada em folguedos de pequenas comunidades sertanejas e no Recôncavo Baiano. Poucos esforços foram realizados no sentido de compreender as linguagens musicais e técnicas de execução empregadas pelos violeiros e a sua importância na cultura popular da Região.
:: E os elefantes na Rua Nova? De onde vêm?::
“Elefantes na Rua Nova” é o título de uma foto, do centro de documentação da Fundação Joaquim Nabuco do Recife, descoberta pelas produtoras executivas do disco, Alessandra Leão e Laura Antunes, no processo de pesquisa para a fotografia de divulgação (onde a ideia foi projetar uma imagem do Recife antigo sobre a paisagem atual da cidade).
E lá estava no envelope: “Elefantes na Rua Nova”. “Deve ser um maracatu ou uma troça carnavalesca passando na Rua Nova, no Centro do Recife”, pensaram as produtoras. Ao abrir, a surpresa: Eram realmente elefantes passando na Rua Nova, numa foto datada da década de 1970. Inusitado, assim como o disco de Caçapa. E assim, Elefantes na Rua Nova virou o título do disco.
:: CAÇAPA ::
Caçapa é compositor, arranjador, produtor musical e violeiro. Ao longo de quinze anos de atuação na cena musical independente de Pernambuco, tem se firmado como músico respeitado, entre aqueles que se dedicam à recriação e difusão da música tradicional do Nordeste. Fez parte do grupo Chão e Chinelo, na década de 90, com quem gravou o CD Loa do Boi Meia Noite. Atualmente, é responsável pelos arranjos e produção musical dos dois CDs da musicista Alessandra Leão (Brinquedo de Tambor, 2006, e Dois Cordões, 2009); assinou arranjos para Siba e a Fuloresta, Nação Zumbi, Iara Rennó, Renata Rosa, Maciel Salu e o Terno do Terreiro, Tiné, Biu Roque, SaGrama, Mio Matsuda (Japão), entre outros. Em dezembro de 2008 foi contemplado no Programa de Bolsas de Estímulo à Criação Artística, na Categoria Composição em Música Popular, promovido pela Funarte, em 2008/2009, que possibilitou a composição e arranjos das obras de “Elefantes na Rua Nova”.